Quando policiais atendem a um chamado na mansão da família Le Domas, encontram apenas Grace (Samara Weaving), recém-casada com Alex Le Domas (Mark O’Brien), fumando um cigarro e com o vestido de noiva completamente ensanguentado. Em Casamento Sangrento (2019), ela acabava de sobreviver a um jogo mortal de esconde-esconde promovido pelos novos parentes, que caçam a agregada até a morte para sacrificá-la ao demônio responsável pela fortuna bilionária da família. Evidentemente, Grace venceu a gincana, e a linhagem Le Domas foi exterminada. Mas que autoridade acreditaria em uma história dessas? O filme não oferece resposta e encerra sem margens para continuação — afinal, todos os vilões literalmente explodem em pedacinhos.
No entanto, vale a máxima de Hollywood: se faz sucesso e, sobretudo, dinheiro, vira franquia. Sete anos depois, Casamento Sangrento ganhou continuação, intitulada Casamento Sangrento – A Viúva, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta, 19. Seria o caso de repetir o destino de sequências tardias de clássicos como O Exorcista, A Bruxa de Blair, Independence Day e Os Embalos de Sábado à Noite? A resposta é simples: não.
A Viúva retoma exatamente de onde o original parou e explora as consequências enfrentadas por Grace. Pouco depois, ela descobre que será submetida a uma nova dinâmica mortal — agora envolvendo mais de uma família bilionária —, como desdobramento de sua escolha de se casar com um Le Domas. Surpreendentemente, os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett constroem uma justificativa convincente para a continuação. Sem entrar em spoilers, vale dizer que boa parte do êxito do filme passa por suas duas protagonistas: Samara Weaving e Kathryn Newton, que estreia na franquia como Faith.
Por dentro do universo de Casamento Sangrento
Atravessando as Américas até Los Angeles, nos Estados Unidos, a Rolling Stone Brasil foi convidada pela Disney para acompanhar o lançamento e entrevistar Weaving, Newton e Shawn Hatosy, intérprete do vilão Titus. O elenco ainda inclui nomes como David Cronenberg (você não leu errado!), Elijah Wood, Sarah Michelle Gellar, Olivia Cheng e Nestor Carbonell.
Na manhã das entrevistas com as protagonistas, o lobby do hotel já estava inteiramente ambientado com a identidade visual de A Viúva. Um pôster indicava onde seriam as conversas e o elenco transitava pelo local, pegando elevador com os jornalistas, Bettinelli-Olpin e Gillett pegavam comida antes de irem embora e ainda vi Wood conversando com os diretores na saída e soltando uma risada alta e hilária durante a interação.
Ao longo do dia, a preparação avançou até que, no fim da tarde, chegou a hora do encontro com as estrelas. Antes disso, Weaving e Newton haviam passado por uma maratona de entrevistas com jornalistas brasileiros e estrangeiros, além de influenciadores. Apesar do cansaço, responderam com entusiasmo.
“No primeiro filme, não sabíamos que ele seria tão bem recebido”, disse Weaving sobre o retorno como Grace. “O fato de as pessoas gostarem tanto dele é muito bonito. Voltar seis anos depois para fazer tudo de novo com a mesma equipe foi realmente muito divertido. E então vieram esses palhaços [aponta para Kathryn], o que foi a cereja do bolo.”
Diferentemente de muitas sequências, o novo capítulo conta com um elenco majoritariamente inédito. Kathryn Newton, que interpreta a irmã mais nova e distante da final girl, reconhece o impacto do primeiro longa e não esconde o entusiasmo.
“Eu realmente senti que fiz algo certo na vida para ter essa oportunidade. Me senti muito sortuda”, afirmou. “Nem consigo explicar direito, mas dá para sentir isso no filme — o quanto eu amei fazer. Eu sempre digo que é o melhor filme em que já trabalhei. Não sei se é mesmo, mas certamente foi o que mais amei fazer.”
Domindando o horror
O terror não é território desconhecido para nenhuma das duas. Samara Weaving, dona de um dos gritos mais marcantes do cinema recente, destacou-se em títulos como A Babá (2017), Pânico VI (2023) e Azrael (2024). Já Kathryn Newton construiu sua trajetória no gênero com Atividade Paranormal 4 (2012) — quando já foi chamada de Scream Queen —, além de Lisa Frankenstein (2024), Freaky – No Corpo de um Assassino (2020) e Abigail (2024).
Seja pela experiência, talento ou construção de A Viúva, Weaving e Newton evocam qualidades clássicas das grandes Scream Queens, de Sarah Michelle Gellar a Neve Campbell e Jamie Lee Curtis: atitude, coragem, vulnerabilidade, medo e forte presença de tela.
