Desde que o rock ganhou o mundo, há quem declare determinados artistas a “salvação” do estilo. O Geese é o exemplo mais recente deste fenômeno. A banda indie nova-iorquina se tornou o nome mais badalado da indústria graças ao seu terceiro álbum de estúdio, Getting Killed, lançado em setembro último.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, três dos quatro integrantes — Emily Green (guitarra), Dom DiGesu (baixo) e Max Bassin (bateria) — exploraram como o sucesso de Getting Killed, eleito o 7º melhor disco internacional de 2025 pela revista, afetou o grupo completo por Cameron Winter (voz e guitarra). Bassin, em especial, aponta a constante discussão sobre a banda na imprensa e redes sociais:
“Acho que no dia a dia, as coisas continuam bem parecidas. Mas tem muita gente falando o tempo inteiro sobre a gente, o que pode ser bom e ruim. Algumas pessoas estão começando a ficar de saco cheio. Eu sei que a gente está de saco cheio. Mas é mais ou menos a mesma coisa. É estranho.”
Apesar do desconforto, há um aspecto dessa fama que os integrantes concordam ser positivo: os shows. Segundo DiGesu, o sucesso de Getting Killed aumentou o perfil do Geese, ao passo que a turnê do álbum será a maior da carreira da banda até agora.
“Estamos fazendo shows maiores. Fazemos mais shows para muito mais gente. E isso é legal.”
Admiradores e detratores do Geese
Grande parte da discussão sobre o Geese é impulsionada por alguns dos artistas mais idolatrados da história do rock. Exemplos:
- Nick Cave se revelou fã numa edição de sua newsletter The Red Hand Files, apreciando em específico a música “Trinidad”;
- Adam Clayton, baixista do U2, elogiou a “atitude radical sem regras” da banda na fanzine oficial do grupo irlandês, Propaganda;
- Patti Smith revelou, num post de Instagram, que o simples ato de ouvir no rádio a canção “100 Horses” lhe fez sentir otimista.
A opinião dos integrantes quanto a esses apoios de famosos difere, ainda que ligeiramente. Max Bassin garantiu não pensar muito sobre isso, enquanto Dom DiGesu e Emily Green mostraram gratidão. A guitarrista afirmou:
“Tem muitos músicos e artistas que escuto há muito tempo, que gosto e pelos quais tenho muito respeito. Ouvir isso deles, essa via de mão dupla de admiração recíproca é bem legal.”
Precisa-se dizer, nem todo famoso demonstrou admiração irrestrita pelo conjunto americano. Pelo Instagram. Courtney Love falou do Geese de maneira ligeiramente desconfiada. Entretanto, a ex-vocalista do Hole deixou claro posteriormente que gosta da música da banda. Só não é “fã” dos fãs.
Entre tantas celebridades, os integrantes do Geese ficaram deslumbrados ao conhecer… Mr. Met. A banda foi apresentada ao mascote do time de beisebol New York Mets – todos os integrantes são torcedores da equipe – após se apresentar no Brooklyn Paramount em novembro. Segundo Max Bassin, o encontro superou até mesmo a experiência de trocar uma palavra com Noel Gallagher durante o Brit Awards 2026:
“Mr. Met sei ao menos que é fã da banda. Não tenho certeza se Noel Gallagher sabe quem a gente é, mas talvez saiba. Talvez ele também estava muito nervoso de me conhecer, o que gosto de imaginar ser o caso.”
Brasil — e Cameron Winter no C6 Fest
Ainda que o Geese ainda não tenha um show marcado no Brasil, um integrante da banda toca no país em breve. O vocalista Cameron Winter é uma das atrações C6 Fest no dia 24 de maio, comandando o palco C6 Lab com espetáculo focado no seu álbum solo, Heavy Metal (2024). Os ingressos para a apresentação já estão esgotados.
Mas e o Geese? Dom DiGesu apontou que uma performance em território nacional é questão de tempo. Há desejo por parte do grupo, então não é uma questão de “se” e, sim, “quando”. Por enquanto, Winter fará um reconhecimento de campo, segundo Emily Green:
“Ele estará numa missão secreta do Geese.”
Turnê atual do Geese
A Getting Killed Tour acabou de encerrar uma passagem pela Europa na qual o Geese chamou atenção por alguns fatores. O primeiro foi a presença de músicas inéditas no repertório.
A banda desenterrou para três shows uma canção conhecida entre fãs sob o título “Here My Angels Come”, que já havia aparecido ao vivo em 2024, mas nunca foi lançada. A faixa era originalmente um space rock delicado ao estilo de bandas como Spiritualized e Spacemen 3, mas apareceu no setlist com um arranjo novo mais lento, similar a baladas de Getting Killed como “Au Pays du Cocaine”.
Entretanto, o público presente para o show do Geese no dia 15 de março no Astra, em Berlim, foi presenteado com a primeira música nova do grupo pós-Getting Killed. A canção, por enquanto chamada “Apollo”, imediatamente se tornou viral entre fãs devido à energia nervosa do arranjo e Winter repetindo a frase “I’m going to the moon” [“Eu vou é para a lua”] repetidamente.

