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Descubra ‘Leviticus’, o inovador filme de terror LGBTQ+ que promete se tornar um marco no gênero

Melody Tune
junho 18, 2026
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No vasto conteúdo do Livro de Levítico, na Bíblia, um versículo em particular se destaca por sua repetição ao longo dos séculos. Não se trata da famosa frase “amar o teu próximo”, mas sim daquela que diz: “não te deitarás com homem como se fosse mulher”. Este mandamento, oriundo do Antigo Testamento, tem sido utilizado como uma arma por muitos que ignoram os princípios centrais do Novo Testamento — e, ao longo da história, serviu para alimentar a homofobia e o sofrimento. O cineasta Adrian Chiarella certamente já foi alvo dessa citação, ouvindo-a ser gritada por manifestantes anti-Pride e vivenciando as repercussões de uma frase que tem sido usada para justificar a perseguição a uma comunidade inteira.

Inicialmente, Chiarella considerou a ideia de criar um filme sobre os exorcismos falsamente religiosos que prometem “curar” jovens LGBTQ+ através de métodos brutais. No entanto, ele teve uma revelação: e se a luta contra os desejos desses jovens não ocorresse por meio de um ritual de exorcismo, mas através da ideia de possessão?

Desde o início, Leviticus foi projetado como uma provocação em relação às questões de gênero, utilizando essa reviravolta conceitual como base para críticas sociais tanto incisivas quanto chocantes. Esta estreia em longa-metragem é digna do rótulo “fique de olho” — uma obra cinematográfica que se destaca pela composição visual impressionante e por duas atuações que oscilam entre a intensidade emocional e o terror absoluto. Além disso, o filme representa um marco no gênero de terror LGBTQ+: ao gerar medo genuíno em relação aos protagonistas, também provoca repulsa tanto nos monstros sobrenaturais quanto nas figuras humanas. A metáfora apresentada para ilustrar as atrocidades da terapia de conversão pode não ser sutil; no entanto, sua eficácia é notável e se mostra como um ponto significativo na representação e reflexão sobre uma comunidade com uma história rica e complexa no cenário do terror.

Mudar-se para os subúrbios rurais da Austrália não traz muitas vantagens para Naim (Joe Bird, conhecido por Talk to Me (2022)). A única coisa positiva nessa mudança é Ryan (Stacy Clausen), um jovem local com aparência de surfista e corpo atlético. Ryan introduz Naim ao que ele considera entretenimento: observar cobras atacando sapos, explorar ruas sem saída e invadir um moinho abandonado para quebrar tudo que encontram pela frente. Quando essas travessuras evoluem para um envolvimento mais íntimo, ambos não conseguem resistir à atração mútua. A conexão entre eles é palpável, embora a necessidade de manter tudo em segredo seja algo claro para ambos.

No entanto, a influência da igreja é forte nesse cenário isolado — e essas relações são mal vistas pela comunidade conservadora ao redor (como sugerido pelo título). A mãe de Naim (Mia Wasikowska) parece ser particularmente afetada por essa pressão social; ela aparece mais como uma mulher perdida do que como alguém devoto após seu divórcio. Além disso, descobre-se que Ryan está tendo encontros secretos com o filho do pastor local. Em breve, um “curandeiro” (Nicholas Hope, famoso por Bad Boy Bubby (1993) e veterano do cinema australiano) chega à cidade para realizar rituais com o filho do pastor e Ryan. “Toda a sua luxúria deve desaparecer agora”, ele proclama. Palavras enigmáticas são pronunciadas enquanto um isqueiro é colocado diante dos rostos dos jovens — resultando em convulsões aterrorizantes.

Poucos dias depois, Naim testemunha o filho do pastor sendo atacado violentamente por uma entidade invisível. Incidentes estranhos também ocorrem com Ryan envolvendo forças malignas não visíveis. A mãe de Naim decide chamar o curandeiro para ajudá-lo também — logo ele se vê enfrentando a mesma entidade sobrenatural que assola Ryan. Nesse ponto, o filme estabelece algumas regras sobre essa força maligna: ela persegue adolescentes na região quando estão sozinhos e assume a forma da pessoa pela qual você mais deseja — tudo isso com a intenção cruel de voltar essa paixão contra você mesmo. Distinguir entre um demônio real e alguém amado torna-se uma tarefa complexa.

A obra não faz questão de disfarçar suas intenções. Felizmente, Leviticus domina a arte de aproveitar essa premissa para provocar sustos enquanto ilustra quão traiçoeiro pode ser confundir amor com salvação. O desejo há muito tempo é usado como motivo para sustos em filmes slasher; no entanto, reduzir esta produção a simplesmente “It Follows (2014) voltado para relacionamentos homoafetivos” seria desmerecer sua profundidade. A narrativa criada por Chiarella fundamenta-se em preconceitos reais e medos autênticos. A tensão presente em cenas como “será que é realmente Ryan ou um demônio disfarçado?”, — várias das quais são habilmente coreografadas para impactar intensamente o espectador — sempre vem acompanhada da lembrança de que as autoridades religiosas locais legitimaram essas práticas paranormais anti-LGBTQ+. Afinal, o que pode ser mais perigoso do que transformar sua própria sexualidade em uma arma contra você sob o pretexto de salvar sua alma? O demônio aqui representa algo ainda mais horrendo.

Caso você prefira narrativas com metáforas menos pesadas, talvez considere este terror LGBTQ+ excessivamente intenso. Contudo, Leviticus possui propostas mais ambiciosas do que apenas usar questões reais como combustível para o horror. O intuito do filme não é enterrar seus personagens gays; ao contrário, busca celebrar como esses casais encontram formas de preservar seu amor mesmo diante do risco absoluto. Em determinado momento, Ryan menciona que se tiver que passar sua vida lutando contra algo que assume a aparência da pessoa amada, deseja que isso seja semelhante a Naim. Embora possa parecer trivial lido assim, a profundidade emocional dessa declaração ganha vida quando você escuta Clausen proferi-la e observa a reação dela no personagem interpretado por Bird. Ao longo da maior parte da trama, parece que se está diante de um filme de terror com uma história romântica subjacente; ao final revela-se exatamente o oposto: trata-se na verdade de uma narrativa amorosa indissolúvel — mas não subserviente — dentro do contexto aterrador.

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A postagem apresenta ‘Leviticus’, seu novo filme de terror LGBTQ+ potencialmente inovador.

Tags

  • Cinema
  • Leviticus
  • LGBTQ+
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