Chris Brown foi considerado responsável por um ataque de seu cão de segurança e deverá indenizar uma empregada doméstica em US$ 13 milhões, conforme decisão de um júri na Califórnia nesta terça-feira.
A quantia de US$ 12,9 milhões será paga por Chris Brown e sua empresa, Black Pyramid LLC, à funcionária Maria Avila, devido a negligência. A informação foi confirmada por Michael C. Murphy Jr., advogado da irmã de Maria, Patricia Avila, que também recebeu US$ 885 mil em danos morais. O esposo de Maria, Oscar Olivo, que alegou que o incidente prejudicou seu casamento, recebeu um total separado de US$ 50 mil. O site Billboard foi o primeiro a divulgar a notícia.
Murphy expressou sua satisfação com o resultado do julgamento: “Após mais de cinco anos lutando contra Chris Brown, estamos aliviados por termos alcançado justiça para nossa cliente, Patricia. É uma grande vitória para ela e sua família, considerando tudo que enfrentaram naquele dia trágico. Foi um privilégio representá-la”, declarou ele.
A advogada de Maria Avila, Nancy Doumanian, também comentou sobre a decisão: “Nenhum veredicto pode reverter o que foi tirado da nossa cliente ou apagar o trauma que ela viveu. Contudo, a decisão reconhece a gravidade das perdas sofridas, traz responsabilidade aos envolvidos e reafirma um princípio fundamental: no nosso sistema judicial, todos têm direito à justiça igual, independentemente do status ou fama do réu.”
No tribunal, Maria Avila compartilhou sua experiência angustiante durante o julgamento que durou duas semanas. Ela descreveu o ataque ocorrido em 12 de dezembro de 2020 na residência de Brown, localizada no bairro Tarzana em Los Angeles. Os ferimentos resultaram em cicatrizes significativas no braço e no rosto, além de transtorno de estresse pós-traumático.
“Nunca mais serei a mesma”, afirmou ela aos jurados durante a audiência realizada em Van Nuys, Califórnia, no dia 24 de junho.
Avila, que se comunicou em espanhol através de um intérprete, detalhou as dificuldades enfrentadas durante sua recuperação. Mencionou que cirurgiões usaram pele do seu abdômen para reparar seu braço severamente danificado, causando-lhe dor intensa e limitações na mobilidade. As lesões faciais exigiram múltiplos pontos e as restrições impostas pela pandemia impediram visitas familiares durante sua internação hospitalar.
Mãe de três filhos, Avila relatou que ainda sofre com danos nos nervos e uma sensibilidade crônica do lado esquerdo do corpo, dificultando suas atividades diárias. Ela mencionou que não consegue mais realizar tarefas como esfregar pisos ou torcer panos sem ajuda. Além disso, ficou com medo dos cães após o ataque, o que praticamente encerrou sua carreira como empregada doméstica devido ao fato de muitos clientes possuírem cães.
A filha de Avila, Yoseline Espinoza, testemunhou após a mãe e recordou a ligação angustiante recebida da tia durante o incidente: “Ela estava completamente apavorada dizendo: ‘Sua mãe não consegue respirar! Ela desmaia comigo. A ambulância ainda não chegou. O Chris Brown fugiu’”, contou Espinoza. “Eu não achava que ela sobreviveria.”
BROWN strong>, atualmente com 37 anos, foi o primeiro a depor no julgamento. Ele relatou ter ouvido os rosnados do cão chamado Hades strong > e correu para ajudar quando encontrou Avila strong > caída no chão. Ele afirmou ter contido o animal e chamado um segurança para socorro enquanto verificava se ela ainda respirava. No entanto, admitiu que não fez contato direto com os serviços de emergência por receio da repercussão na mídia.
A defesa questionou por que ele não esperou pelos paramédicos enquanto uma mulher sangrava na entrada da casa: “Qual seria o problema? Por que isso seria ruim para você?”, indagou Doumanian strong >.
“Por causa da imagem pública que sempre é distorcida sobre mim”, respondeu Brown.
“Você não acha que sua reputação ficaria ainda mais manchada por ter fugido?”, insistiu a advogada.
Brown strong > negou ter fugido e afirmou que passou algumas horas dirigindo antes de retornar após ser informado sobre a segurança da situação.
Avila strong > revelou aos jurados que desconhecia a presença do grande cão pastor na propriedade naquele dia e disse ter visto apenas dois bulldogs franceses pequenos pertencentes a Brown. Ela negou ter sido alertada sobre qualquer risco pelo cantor antes do ataque.
Sussurrando nervosamente, Avila strong > contou aos jurados sobre os momentos imediatamente anteriores ao ataque; ela havia saído para esvaziar um aspirador quando foi atacada. Ela relatou apenas flashes do ocorrido e saiu do tribunal durante as apresentações iniciais ao ver imagens dos seus ferimentos: “É muito difícil para mim”, disse entre lágrimas.
Tremendo visivelmente, ela mostrou suas cicatrizes aos jurados enquanto desviava o olhar para evitar encará-los diretamente.
Antes disso, removeu os óculos e afastou os cabelos para revelar marcas visíveis sob seu olho esquerdo até a testa.
Antevendo o julgamento, Brown strong > aceitou parcialmente sua culpa referente à negligência em conformidade com as leis californianas sobre mordidas de cães mas contestou gravemente as alegações quanto à extensão das lesões sofridas por Avila.
Durante a seleção do júri seu advogado admitiu que Avila poderia receber alguma compensação mas indicou haver divergências quanto ao valor apropriado.
No início da seleção dos jurados alguns potenciais membros foram dispensados após manifestarem incapacidade para julgar imparcialmente devido à condenação criminal anterior de Brown envolvendo agressão contra sua ex-namorada Rihanna em 2009.
O juiz já havia determinado anteriormente que tal histórico não tinha relevância no caso atual; porém alguns jurados mencionaram isso espontaneamente.
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A matéria sobre Chris Brown deverá pagar US$ 13 milhões à empregada doméstica após ataque canino foi publicada originalmente pela Rolling Stone Brasil.

