“As pessoas costumam me perguntar: ‘Você é AC ou DC?’ E eu sempre digo: ‘Nenhum dos dois, eu sou o raio!’” Esta frase é um reflexo do espírito indomável de Bon Scott. Antes de se tornar o vocalista do AC/DC, Ronald Belford Scott, nascido em 9 de julho de 1946, na cidade escocesa de Kirriemuir, já possuía uma trajetória marcante. Aos cinco anos, mudou-se para Perth, na Austrália, onde teve uma adolescência conturbada, marcada por experiências em reformatórios e pela intensa absorção da música e da poesia popular.
The Spektors. Ganhou destaque nacional ao liderar o grupo The Valentines entre 1966 e 1970, e desenvolveu seu estilo único na banda Fraternity, que atuou entre 1970 e 1973, realizando turnês pelo Reino Unido. Foi nesse período que Scott consolidou seu timbre rouco e suas letras repletas de humor ácido.
Em 1974, um grave acidente motociclístico quase pôs fim à sua carreira. Após a recuperação, Scott se aproximou dos irmãos Young — inicialmente como motorista — e acabou assumindo os vocais do AC/DC após a saída de Dave Evans. “O único ensaio que tivemos foi ficar sentados por uma hora antes do primeiro show dele…”, recordou Angus Young. Antes de estrear nos palcos, Bon teria consumido bastante bourbon: “Certo, estou pronto”.
Entre 1974 e 1980, ele se tornou a personificação da fase mais intensa da banda, contribuindo para álbuns icônicos como Let There Be Rock (1977), Powerage (1978) e Highway to Hell (1979). Suas letras abordavam temas como sexo, bebidas alcoólicas, desilusões amorosas e até enfermidades venéreas, sempre com um tom de humor autodepreciativo que transformava suas experiências pessoais em hinos que ressoavam com a realidade trabalhadora de seus fãs.
A morte de Bon Scott
No dia 19 de fevereiro de 1980, Bon Scott faleceu em Londres aos 33 anos. O inquérito britânico declarou sua morte como “acidental”, atribuindo-a a intoxicação alcoólica aguda após uma noite regada a bebidas. Ele foi encontrado sem vida no carro de um amigo onde havia sido deixado para dormir.
No entanto, ao longo dos anos surgiram várias teorias da conspiração que levantaram dúvidas sobre as circunstâncias da sua morte. Algumas sugeriram que a verdadeira causa — possivelmente uma overdose de heroína — teria sido encoberta para proteger a imagem da banda. Divergências sobre os relatos daquela noite alimentam suspeitas sobre possíveis falhas na investigação.
Nada foi comprovado definitivamente até hoje. Essas teorias continuam a circular em fóruns e biografias alternativas enquanto o registro oficial permanece inalterado.
“Ele realmente não havia atingido seu ápice”, lamentou Angus em entrevista à Sounds logo após o falecimento em março de 1980. Diante de sua breve mas impactante passagem pela vida, a autodescrição de Bon como “o raio” não poderia ser mais adequada.
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A postagem sobre Bon Scott, a voz emblemática do AC/DC, foi publicada originalmente na Rolling Stone Brasil.

