Um dos aspectos que contribuiu significativamente para a popularidade de Assassin’s Creed IV: Black Flag foram as canções marítimas, conhecidas como sea shanties. Durante suas jornadas no Jackdaw, muitos jogadores descobriram que o maior desafio era resistir à vontade de navegar apenas para apreciar mais uma música.
Com a chegada de Assassin’s Creed Black Flag Resynced para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, a Ubisoft decide explorar novamente esse aspecto que se tornou um símbolo do jogo. Esta nova versão não só revive canções amadas pelos fãs, mas também apresenta composições inéditas, criadas especificamente para enriquecer o repertório dos piratas.
Em uma conversa com a Rolling Stone Brasil, o músico Sean Dagher, encarregado das gravações vocais e das novas composições em Resynced, destaca que a intenção permanece a mesma da obra original: garantir uma sonoridade autêntica.
“A intenção da Ubisoft sempre foi manter a fidelidade histórica. Buscamos que as músicas refletissem as versões originais da época e transmitissem uma sensação real de autenticidade”, afirma ele.
A produção seguiu um processo muito similar ao utilizado durante o desenvolvimento de Black Flag, em 2013. As gravações ocorreram nos mesmos estúdios, com equipamentos equivalentes e mantendo a técnica de gravar múltiplas camadas vocais, criando a impressão de um grande coro de marinheiros cantando no mar. Os arranjos precisavam permanecer simples, evitando qualquer sofisticação excessiva.
“Sempre que tentávamos fazer harmonias complexas, os produtores nos interrompiam dizendo: ‘Vocês são piratas. Mantenham isso simples’. Assim, deixamos de lado qualquer coisa refinada e focamos em vozes mais ásperas, gritos e exclamações. Acredito que isso é o que conferiu autenticidade às músicas.”
No caso das novas canções, Dagher realizou uma profunda pesquisa sobre música marítima tradicional. Durante o período da pandemia, ele criou a série Shanty of the Week, onde examinava diferentes versões de antigas canções de marinheiros, chegando a encontrar mais de cem versos distintos para algumas delas.
“Para uma das músicas, encontrei 107 versos diferentes. Analisei todas as versões disponíveis, escolhi os trechos que mais me chamaram a atenção e procurei manter apenas o que soasse verdadeiramente tradicional.”
No momento em que foi necessário compor músicas inéditas para Resynced, o procedimento foi semelhante. A Ubisoft fornecia um briefing com o contexto histórico e o papel da canção dentro do jogo, enquanto Dagher se aprofundava na pesquisa antes de iniciar a composição.
“O objetivo era fazer com que essas músicas parecessem escritas há 300 anos atrás. Se alguém ouvir uma delas e achar que é uma canção tradicional antiga, então sei que alcancei meu objetivo.”
No entanto, curiosamente, Dagher nunca previu que as sea shanties se tornariam um dos elementos mais memoráveis de Assassin’s Creed IV: Black Flag. Ele recorda ter cantado músicas como “Drunken Sailor” em pubs desde os anos 1990, quando quase ninguém demonstrava interesse por esse estilo musical.
“Fiquei completamente surpreso. Ninguém prestava atenção nas sea shanties. Quando começaram a ganhar notoriedade por conta de Black Flag, eu realmente não esperava aquilo.”
No novo jogo, sua expectativa é clara: deseja que os jogadores tenham dificuldade em identificar quais músicas são novas e quais pertencem ao repertório tradicional. “Quero que elas soem como mais uma sea shanty. Se os jogadores aceitarem-nas como parte natural do universo do jogo, isso já será um sinal de sucesso.”
Lançado nesta quinta-feira, dia 9, Assassin’s Creed Black Flag Resynced, disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, promete trazer de volta uma das experiências mais icônicas da franquia — além de adicionar novas músicas destinadas a ficar na memória dos jogadores muito tempo após o fim da aventura.
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A publicação Como as sea shanties continuam sendo a alma de ‘Assassin’s Creed Black Flag Resynced’ foi reformulada para apresentar novas perspectivas sobre este tema.

