
Clássicos de Akira Kurosawa, Jean-Luc Godard, Alain Resnais e Francis Ford Coppola serão relançados na tela grande. O Belas Artes Grupo anunciou uma seleção de quatro obras consideradas fundamentais para a história do cinema, que serão exibidas no Cine Belas Artes, em São Paulo, e no Cinesystem Belas Artes Botafogo, no Rio de Janeiro.
A programação começa em 1º de outubro com RAN (1985), épico dirigido por Kurosawa e considerado um dos pontos altos da carreira do cineasta japonês. Na sequência, chegam Acossado (1960), de Godard, O ano passado em Marienbad (1961), de Resnais, e Vidas sem rumo (1983), de Coppola. As três últimas estreias estão previstas para janeiro, fevereiro e março de 2027, respectivamente, com as datas exatas ainda a serem divulgadas.
A iniciativa é realizada pelo Belas Artes À La Carte, plataforma de streaming do Belas Artes Grupo. Os quatro filmes também passam a integrar o catálogo do serviço, seguindo o modelo de RAN, que está disponível para assinantes desde o fim de agosto. Saiba mais sobre os filmes a seguir:
RAN, de Akira Kurosawa
Inspirado em parte por Rei Lear, de William Shakespeare, RAN acompanha um senhor feudal que decide dividir seu reino entre os três filhos, desencadeando uma disputa familiar marcada por traições, violência e guerra.
O filme é frequentemente lembrado pela dimensão visual de Kurosawa. O diretor produzia storyboards detalhados de seus planos, transformando cada sequência em uma composição cuidadosamente planejada. A fotografia utiliza cores intensas para diferenciar os exércitos e personagens, enquanto as lentes teleobjetivas ampliam a sensação de distância entre a câmera e o caos da batalha.
O resultado é um épico de proporções monumentais que também funciona como uma reflexão sobre poder, ambição, envelhecimento e destruição.

Acossado, de Jean-Luc Godard
Considerado um dos filmes fundamentais da Nouvelle Vague francesa, Acossado transformou convenções do cinema tradicional ao acompanhar Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo), um jovem criminoso que foge para Paris depois de matar um policial.
Godard apostou em uma linguagem que parecia romper deliberadamente com as regras estabelecidas. Os famosos jump cuts interrompem a continuidade das cenas, enquanto a câmera acompanha os personagens pelas ruas de Paris com uma liberdade que ajudou a redefinir a relação entre cinema, espaço urbano e narrativa.
O filme também brinca com a própria linguagem cinematográfica, incluindo momentos em que os personagens parecem reconhecer a presença da câmera.
O Ano Passado em Marienbad, de Alain Resnais
Em O Ano Passado em Marienbad, Alain Resnais abandona qualquer compromisso convencional com uma narrativa linear. A história acompanha um homem que afirma ter conhecido uma mulher no ano anterior, enquanto ela insiste que os dois nunca se encontraram.
A partir dessa premissa, o diretor transforma memória, desejo e percepção em um labirinto no qual passado e presente parecem se misturar constantemente. Não há uma resposta fácil para determinar o que aconteceu de fato — ou sequer se os acontecimentos apresentados realmente aconteceram.
Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1961, o longa se tornou uma das experiências mais radicais do cinema moderno e influenciou cineastas interessados em explorar narrativas fragmentadas, subjetivas e abertas à interpretação.
Vidas Sem Rumo, de Francis Ford Coppola
Encerrando a seleção, Vidas Sem Rumo apresenta uma juventude americana muito diferente daquela retratada em produções mais idealizadas das décadas anteriores.
Ambientado em Tulsa, Oklahoma, o filme acompanha dois grupos rivais de adolescentes e aborda conflitos de classe, violência, amizade e amadurecimento. Coppola adapta o romance homônimo de S. E. Hinton e constrói um retrato melancólico de jovens que tentam encontrar seu lugar em um mundo que parece já ter decidido quem eles devem ser.
O longa também ficou marcado por reunir uma geração de atores que se tornaria fundamental para Hollywood nos anos seguintes. O elenco inclui nomes como Tom Cruise, Matt Dillon, Patrick Swayze, Rob Lowe, Emilio Estevez e Diane Lane.
A versão que será exibida pelo Belas Artes tem ainda um atrativo especial: trata-se de uma edição estendida, com 26 minutos de cenas adicionais, que nunca havia sido exibida nos cinemas nessa configuração.
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