Na terça-feira, 13, o papa Leão XIV foi submetido a uma cirurgia no Hospital Agostino Gemelli, localizado em Roma, para a remoção de um nódulo que havia sido detectado em seu pulmão direito durante exames de rotina. O procedimento ocorreu sem nenhum tipo de complicação. Após acordar da anestesia, o pontífice foi levado de volta ao seu quarto na ala destinada aos papas, situada no décimo andar do hospital. Em um comunicado oficial divulgado pelo Vaticano algumas horas depois, os médicos responsáveis pela operação, Luigi Carbone e o professor Stefano Margaritora, informaram que a análise histológica realizada durante a cirurgia revelou a presença de um adenocarcinoma pulmonar — uma forma comum de câncer nos pulmões. Segundo o boletim, “o diagnóstico já havia sido suspeitado nos exames pré-operatórios e foi confirmado durante a intervenção”. O tempo total na sala cirúrgica foi de aproximadamente três horas, sendo que a cirurgia em si durou cerca de 90 minutos.
No domingo, 11, durante a bênção dominical na Praça São Pedro, Leão XIV anunciou sua decisão de realizar a cirurgia. Essa atitude despertou interesse por ser um ato raro de transparência na história recente do Vaticano. O papa americano, que tem 71 anos, revelou aos fiéis que os médicos haviam encontrado “um pequeno nódulo localizado” no pulmão em uma avaliação médica recente. Ele destacou que a condição foi identificada “em um estágio muito precoce” e que a lesão era “circunscrita”. “Os médicos acreditam que é melhor agir. Seguindo seu conselho, decidi fazer a cirurgia para removê-lo”, afirmou. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, expressou surpresa com a necessidade da intervenção: “Não esperava algo assim. Graças a Deus, foi identificado rapidamente. Normalmente, quando problemas são detectados cedo, podem ser resolvidos”, contou à imprensa italiana.
A operação foi realizada utilizando videotoracoscopia, uma técnica minimamente invasiva que emprega uma câmera e instrumentos inseridos através de pequenas incisões no tórax. Os cirurgiões decidiram ampliar o alcance da operação e remover não apenas o nódulo, mas também todo o lobo inferior do pulmão direito para assegurar uma “ressecção radical”. O Hospital Gemelli possui uma longa relação com o Vaticano e conta com uma ala específica para atender os papas. Durante seu pontificado, João Paulo II passou longos períodos no hospital e chegou a se referir ao local como “Vaticano três”. Por outro lado, Francisco também recebeu tratamento ali no início de 2025 após sofrer uma crise respiratória que evoluiu para pneumonia dupla antes de falecer devido a um derrame em 21 de abril daquele ano. Ao contrário de seu antecessor, Leão XIV não apresenta histórico conhecido de problemas pulmonares; o nódulo foi descoberto incidentalmente durante exames preventivos.
A detecção precoce do adenocarcinoma pulmonar gerou reações tranquilizadoras na comunidade médica. Oncologistas consultados pela imprensa internacional afirmaram que as perspectivas para Leão XIV são bastante positivas devido ao estágio inicial em que sua doença foi diagnosticada. O cardeal Kikuchi Tsutomu, proveniente de Tóquio e que se encontrou com o papa na segunda-feira anterior à internação, mencionou que o pontífice estava se sentindo bem e decidiu realizar a cirurgia imediatamente para não alterar sua agenda de compromissos internacionais. Entre os dias 6 e 17 de novembro está prevista uma visita ao Uruguai, Argentina e Peru; ele sinalizou no último domingo sua intenção de manter esse itinerário apesar dos compromissos públicos terem sido cancelados até 20 de outubro.
Leão XIV, cujo nome verdadeiro é Robert Francis Prevost, fez história ao se tornar o primeiro papa americano ao ser eleito em 2025 após a morte de Francisco. Além disso, ele se mantém fisicamente ativo jogando tênis semanalmente e nadando no retiro papal em Castel Gandolfo. Sua abordagem franca sobre questões relativas à saúde tem sido amplamente vista como uma mudança significativa em relação à tradicional falta de transparência do Vaticano sobre as condições dos papas. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, manifestou apoio ao papa em nome do governo e comentou sobre “a serenidade e calma com que ele tratou do assunto”, considerando isso reconfortante. O Vaticano anunciou que novos boletins médicos serão divulgados nos próximos dias.
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A publicação sobre o papa Leão XIV passando por cirurgia no pulmão com diagnóstico positivo contra câncer foi originalmente veiculada por Rolling Stone Brasil.

