“Não importa se você é homem, mulher, muçulmano, cristão, católico ou judeu… o que realmente conta é que se você ama Iron Maiden, então é parte de uma comunidade e de uma família, meus amigos.” Esta citação marca o início do documentário Iron Maiden: Burning Ambition, que será exibido nos cinemas pela Universal a partir do dia 7 de maio. Essa ideia central permeia todo o filme, que, apesar de algumas falhas pontuais, coloca o público da banda no foco da narrativa.
Dirigido por Malcolm Venville e com produção de Dominic Freeman, o longa não apresenta entrevistas filmadas recentemente com os membros da banda. As informações inéditas são compartilhadas apenas em formato de áudio. Isso não surpreende, já que os integrantes são conhecidos por seu caráter reservado e por valorizarem a estética do mascote Eddie. O documentário traz imagens de arquivo, incluindo shows e bastidores, além de registros dos fãs.
Dentre os admiradores destacados estão figuras famosas como Tom Morello (Rage Against the Machine), Gene Simmons (Kiss), Scott Ian (Anthrax), Simon Gallup (The Cure) e Chuck D (Public Enemy) e também o ator Javier Bardem. Outros entrevistados são anônimos, com diversas origens e profissões, mas todos compartilham um amor pelo Iron Maiden, considerado um dos grupos com a base de fãs mais leal e apaixonada do heavy metal, embora seja superado em vendas pelo Metallica.
No entanto, essa proposta faz com que Iron Maiden: Burning Ambition não seja o ideal para quem deseja aprofundar-se na trajetória da banda. Embora haja uma breve referência ao contexto dos anos 1970, a narrativa praticamente se inicia em 1980 — cinco anos após a formação da banda — coincidentemente no mesmo ano do lançamento do álbum de estreia. Ao longo dos 107 minutos de duração do filme, não há relatos sobre o processo criativo das músicas ou álbuns. A saída do guitarrista Adrian Smith, por exemplo, é tratada superficialmente. Outros eventos são abordados através de histórias já conhecidas em entrevistas anteriores, como a famosa conversa em que o vocalista Bruce Dickinson, ao ser testado para substituir Paul Di’Anno, pergunta ao empresário Rod Smallwood: “vocês vão suportar alguém chato como eu?”.
No documentário aparecem dois brasileiros que falam em português. O primeiro é Giuseppe Amado de Oliveira, que aparece no início do segmento dedicado ao show histórico no Rock in Rio, realizado em 1985 — a primeira apresentação do Maiden no Brasil e na América do Sul. Ele retorna para comentar sobre a volta de Bruce Dickinson à banda em 1999 durante um show no mesmo festival dois anos depois. Outro brasileiro é Eduardo Dutra Maia, que também fala sobre o evento dos anos 80 e menciona um acidente ocorrido durante a apresentação histórica que resultou em um corte no rosto de Dickinson devido à sua guitarra.
A menção ao Brasil ocorre mais duas vezes: quando Bruce assume pilotar a aeronave da banda, facilitando shows em locais logisticamente desafiadores — como na “floresta Amazônica”, referindo-se à visita a Manaus em 2009 — e no show final do baterista Nicko McBrain strong>, programado para São Paulo no final de 2024. A conexão da Donzela de Ferro com o Brasil é significativa, com um total de 14 visitas realizadas até hoje além das viagens individuais dos membros para projetos paralelos.
Pelo filme são apresentados relatos dos fãs e registros históricos importantes junto com animações exclusivas criadas por um estúdio brasileiro:
- a criação do mascote Eddie;
- a razão para a saída de Paul Di’Anno (explicada em uma entrevista pouco reveladora dada pelo cantor falecido em 2024);
- a onda de protestos nos EUA conhecida como “pânico satânico” durante a fase do álbum The Number of the Beast strong>(1982); li>
- a visita à Polônia quando ainda fazia parte da Cortina de Ferro soviética (talvez uma das partes mais longas do filme);
- diferentes formas de esgotamento que levaram às saídas de Smith e Dickinson;
- a era sob comando de Blaze Bayley strong >e a reunião subsequente;
- a superação do câncer por Bruce;
- dentre outros tópicos.
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A essência foi abordada adequadamente. No entanto, pode não ser suficiente para alguns espectadores brasileiros tão entusiastas pelo Iron Maiden; ainda assim representa motivo de orgulho para os fãs que ficarão contentes apenas por ver sua banda favorita nas telonas. Assistir ao documentário durante sua estreia pode proporcionar uma experiência coletiva quase tão empolgante quanto estar presente em um show; afinal é uma chance para reencontrar os irmãos da “família” Maiden.
Concurso cultural Iron Maiden: Burning Ambition
Iron Maiden: Burning Ambition strong >está prestes a estrear no Cine Marquise — e você pode garantir seu lugar! O documentário explora cinco décadas da história do Iron Maiden através de entrevistas com os membros da banda, incluindo a última entrevista dada por Paul Di’Anno , depoimentos famosos , imagens raras e animações protagonizadas por Eddie . Com participações especiais como Javier Bardem , Lars Ulrich (Metallica) e Gene Simmons (Kiss). Para participar , acesse o formulário. p >

