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Gilsons declara que o novo álbum é fruto de mistura entre desafios e otimismo

Melody Tune
março 12, 2026
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dos Tem momentos na vida em que a música deixa de ser sobre criar e passa a ser sobre sobreviver. José, João e Francisco Gil, os Gilsons, sabem disso. Quatro anos depois de Pra Gente Acordar (2022) — álbum de estreia que encheu o repertório de show e abriu diversas portas —, o trio voltou com um trabalho que não nasceu de planejamento estratégico ou sessão de brainstorming com a gravadora. Nasceu de um 2025 difícil, marcado por luto, turnês intensas e a necessidade de encontrar alguma luz no meio de tudo que estava acontecendo.

Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão (2026) tem nome comprido que mais parece frase que você repete para si mesmo quando tudo aperta. E é exatamente isso. São dez faixas, com participações de Arnaldo Antunes, Narcizinho (Olodum), Julia Mestre, Sona Jobarteh e a família Veloso (Caetano, Moreno e Tom), expansão sonora com cello e beats que os Gilsons nunca tinham explorado antes. Mas, antes de tudo, é um disco sobre atravessar.

“Criar esse álbum foi como atravessar tudo o que a gente viveu e, ainda assim, continuar”, resume o trio em entrevista à Rolling Stone Brasil. “O disco nasce desse lugar de atravessamento, mas também de esperança. É um projeto que traz um otimismo um pouco mais denso, porque não ignora a dor, não passa por cima do que foi vivido. É sobre olhar pra tudo isso com luz, mesmo quando a escuridão existe”, contam.

Uma sequência necessária

O segundo disco sempre vem carregado de expectativas, diferente do primeiro. Se Pra Gente Acordar foi o começo dos Gilsons, o que vem depois traz outro tipo de pressão. “Para o artista que está começando, o primeiro disco é aquele passe de entrada. Você consegue finalmente preencher um repertório de um show com músicas suas, que era uma coisa que a gente ansiava muito”, explica Francisco.

O show ganhou consistência. Vieram anos de muita estrada, muitos palcos, muito aprendizado. E foi isso que acabou distanciando o segundo álbum do primeiro. “A gente acredita que teve bastante tempo entre um e o outro mesmo, e isso é um baita privilégio, no final das contas. A gente poder ter tido tempo para deixar chegar esse momento.” Quando chegou — com força, em 2025 — abraçaram a ideia.

Mas aí mora um dilema clássico: repetir a fórmula que funcionou ou arriscar algo completamente novo? “A gente fica nessa lacuna: ou a gente vai para um lugar que a gente sabe que funciona, que vai agradar os fãs, mas ao mesmo tempo corre o risco de parecer repetitivo, de parecer sem inspiração. Ou você faz uma coisa que é muito diferente e aí você aliena as pessoas que já gostavam do seu som”, conta João.

A solução foi o meio do caminho. Fazer um som que ainda tem a cara dos Gilsons — violões, harmonias, identidade já consolidada — mas que ao mesmo tempo apresente assuntos novos, sonoridades novas, explorações além do que foram os lançamentos anteriores. “A partir do momento no qual as canções apareceram, que a gente viu o que ia ter ali para trabalhar em termos de assunto, em termos de letra, a produção acabou fluindo de uma forma bem constante.”

João vê como evolução, não revolução. “É como se a gente tivesse expandido esse campo sonoro que a gente já tinha. Ele tinha um tamanho antes e, agora, ele já tá um pouquinho maior”.

Consequência das vivências

A expansão sonora se deve, claro, à estética, mas também muito mais como consequência das vivências. “Tanto da vivência com as cordas, das vivências pessoais de cada um, que eram também compartilhadas em família. Então muitas canções vêm dessa energia como um todo de 2025”, explica João.

O ano de 2025 foi especialmente difícil para Francisco, que perdeu a mãe, Preta Gil. Foi nesse período — entre hospital e estúdio, entre luto e música — que nasceu “Visão“, a faixa que abre o disco e contém o verso que viria a se tornar o título.

“Tiveram momentos em que a música foi mais sobre acolher do que criar. Estar junto, cuidar um do outro, respeitar os silêncios. Esse disco nasceu muito desse lugar de afeto, de entender que seguir também é um gesto de amor”, conta Fran.

Não foi sobre fingir que está tudo bem. Foi sobre reconhecer que a escuridão existe, que 2026 ainda traz situações bizarras — pandemia no retrovisor, guerras enroladas, tudo que tá acontecendo no mundo. “A gente não consegue fechar os olhos para o que tem de errado, o que tem de ruim, mas ao mesmo tempo o que tem de bom também tá aí. E é mais o quanto a gente escolhe olhar”, conta João.

O mantra

Como Francisco contou, “Visão”

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