A tarefa de adaptar Drácula, obra icônica de Bram Stoker, não é simples. Desde sua publicação em 1897, o livro já serviu de inspiração para uma infinidade de filmes, séries, peças teatrais e musicais, tornando sua narrativa bastante familiar ao público. Contudo, a nova montagem Drácula – O Musical se destaca ao trazer uma interpretação única da história, unindo romance, terror e música em uma apresentação ágil que sabe exatamente quais aspectos merecem ser enfatizados.
Com texto e versões criadas por Ella Dalcin e sob a direção de Glaucia da Fonseca, o espetáculo evita seguir à risca cada detalhe do livro. Com duração superior a uma hora, a adaptação resume os principais acontecimentos da trama para realçar o ritmo e a emoção, fazendo escolhas que tornam a narrativa mais dinâmica sem sacrificar sua essência.
A trama gira em torno de Jonathan Harker (Rodrigo Garcia), um jovem advogado inglês que se desloca para a Transilvânia com o intuito de negociar com o enigmático Conde Drácula (Nando Pradho). Enquanto Harker se torna prisioneiro do vampiro, sua noiva Mina (Camila Vergasta) começa a ser atormentada por pesadelos e por uma conexão misteriosa com uma força ancestral que atravessa fronteiras e chega até Londres. Nesse contexto, temas como romance, desejo, medo e sacrifício se entrelaçam.
O personagem que guia o público através dessa tragédia gótica é Renfield, interpretado por Pedro Navarro. Sua representação vai além do mero alívio cômico ou das excentricidades comuns em outras versões. Renfield é apresentado como um ser perturbado e imprevisível, navegando entre devoção e loucura, atuando como narrador da história desde o início e estabelecendo um clima sombrio que permeia toda a montagem.
Uma das inovações mais notáveis na adaptação é a construção do personagem de Mina. Ao invés de se apresentar como alguém passivo que aguarda decisões dos outros, ela assume um papel ativo na narrativa, tomando suas próprias decisões e enfrentando conflitos internos. Essa abordagem proporciona à personagem uma autonomia maior sem sacrificar sua delicadeza intrínseca, tornando-a uma protagonista muito mais interessante e conectada ao público atual.
No epicentro da história está o próprio Conde Drácula. A performance de Nando Pradho revela que o personagem não se sustenta apenas pelo terror; seu magnetismo também desempenha um papel crucial. A primeira aparição do Conde encapsula isso: ele surge inesperadamente das sombras, surpreendendo a plateia antes mesmo de emitir qualquer som. Este momento simples é altamente eficaz e ilustra como o teatro pode criar impacto apenas através da presença dos atores, iluminação e silêncio.
Ao lado dele, Rodrigo Garcia apresenta um Jonathan Harker convincente em sua transformação de um homem racional para alguém consumido pelo horror. Enquanto isso, Diego Luri retrata um Van Helsing firme e resoluto em sua missão contra as forças sobrenaturais.
Outro aspecto positivo da montagem é sua produção. Apesar de ser um espetáculo independente, Drácula – O Musical utiliza seus recursos com grande eficiência. O cenário é adaptável, enquanto a iluminação cria transições entre romance e terror com fluidez. A direção opta por evitar exageros, confiando na força dos atores e na ambientação para construir tensão. No entanto, são as músicas que realmente ajudam a definir a identidade do espetáculo.
As composições de Di Angelo Mathias, junto com Leopardo e Paula Souza Lima , sob a direção musical do próprio Mathias, vão além de meras interlúdios; elas impulsionam a narrativa e intensificam as emoções dos personagens. Algumas canções permanecem na memória mesmo após o término da apresentação. O clímax do espetáculo ocorre quando Drácula, Jonathan, eMina strong >dividem o palco pela primeira vez em um número musical repleto de tensão, paixão e conflito.
Naturalmente, essa adaptação faz algumas concessões. Devido ao tempo limitado disponível, certos eventos são tratados rapidamente e alguns personagens não recebem tanto desenvolvimento quanto no romance original. Aqueles que nunca leram ou assistiram às adaptações anteriores de Drácula strong >talvez sintam falta de certas explicações ou conexões mais profundas. Mesmo assim, a montagem demonstra consciência dessas escolhas sem perder seu objetivo principal: proporcionar uma experiência envolvente ao público.
Em suma,Drácula – O Musical strong >não só transforma uma história clássica em um espetáculo vibrante como também se destaca por suas interpretações marcantes, uma protagonista renovada e uma trilha sonora que deixa ressonâncias mesmo após as cortinas se fecharem.
Espetáculo ainda terá apresentações
Produzido pelaSegundo Ato Entretenimento strong >— responsável porOs Sons de Notre Dame em >— Drácula – O Musical strong >fará mais duas apresentações noTeatro das Artes strong >de São Paulo nos dias 14 e 28 de julho. Os ingressos estão disponíveis para compra através da Eventim. p>
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