Na última sexta-feira, dia 28, o Alabama Shakes apresentou ao público seu mais recente álbum, marcando o retorno da banda após uma pausa de 11 anos. A vocalista Brittany Howard compartilha que a obra traz uma mensagem significativa: “Quero que as pessoas saibam que podem se apoiar mutuamente”.
Os integrantes Howard, Zac Cockrell e Heath Fogg estiveram juntos pela última vez em 2015, quando lançaram o aclamado segundo álbum do Alabama Shakes, intitulado Sound & Color. Este disco alcançou o topo da lista da Billboard 200 e rendeu três prêmios Grammy à banda. Após dois anos de turnê, eles decidiram entrar em hiato em 2018, com Howard seguindo carreira solo, assim como Fogg.
No intervalo em que estiveram afastados, o cenário social, político e musical que cercava a banda de rock sulista de Athens, Alabama, passou por transformações profundas. No novo álbum, I Must Be Dreaming, o Alabama Shakes não apenas aborda essas mudanças, mas também descobre momentos de beleza em meio ao caos.
A vocalista descreve a atualidade como uma época estranha: “A Terra sempre foi um lugar peculiar, mas agora parece que tudo ficou ainda mais confuso e acelerado. As situações que antes pareciam impossíveis se tornaram realidade, principalmente após a Covid”, comenta Howard.
A ideia de liberdade influenciou o título do novo LP. “Há um lado da moeda que sugere: ‘Devo estar sonhando’. Mas existe também outro lado: mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos, ainda há belezas e alegrias a serem descobertas”, explica Howard. “Embora tudo possa parecer aterrorizante, essa dualidade é essencial.”
Com suas 11 faixas, o álbum é um bálsamo para os fãs antigos do Alabama Shakes. Os elementos de blues, soul, folk e americana continuam presentes no som característico do grupo. Embora a obra transmita a sensação de uma reunião calorosa, isso ocorreu por acaso; todos os membros estão desfrutando desse reencontro.
<pNo final de 2024, Howard recebeu um convite para se apresentar em um evento beneficente promovido pela Druid City Brewing Company, localizada em Tuscaloosa. A amizade com o proprietário da cervejaria e sua afeição pela cidade — reconhecida como um dos berços musicais do Alabama Shakes — motivaram sua participação. Durante a pandemia, quando a cervejaria enfrentava dificuldades financeiras, ela decidiu ajudar organizando um show no Bama Theater.
“Então tive uma ideia: vou ligar para os caras”, revela. “Eles também estavam empolgados com a ideia. Planejamos fazer uma participação surpresa. Nos reunimos para ensaiar algumas músicas antigas que não tocávamos há muito tempo e foi muito divertido! Estar juntos novamente e ouvir as composições uns dos outros foi revigorante. A conversa evoluiu para: ‘Devemos fazer mais shows. Você precisa ouvir algumas demos que eu tenho. Vamos gravar.’ E assim nasceu o álbum.”
Pouco tempo depois desse reencontro musical, o Alabama Shakes anunciou que estava criando novas canções. Inicialmente pensado como um EP, eles saíram da primeira sessão com sete faixas prontas. “Estávamos tão próximos de completar um álbum que decidimos seguir trabalhando nele”, afirma.
A conexão entre as músicas de I Must Be Dreaming é marcada por temas de ativismo social. Embora não seja um álbum explicitamente político, várias canções evocam a esperança de construirmos um mundo melhor para todos. “American Dream” retrata a frustração de um cidadão que deseja confiar nas autoridades mas se sente traído. Já “I Feel Hope Coming” aborda diretamente a necessidade de mais ação além das orações: “Vai ser preciso mais do que orações para mudar este lugar”. Para Howard, essa música ressoa perfeitamente com os tempos atuais.
“É sobre ver as pessoas se unindo”, reflete ela, “e expressando sentimentos como: ‘Ei! Não quero ser vigiado em massa! Vamos destruir as câmeras da Flock!’ Quando alguém diz que isso é ilegal, todos respondem: ‘Você realmente quer ficar bravo com isso?’ Ver as pessoas finalmente indignadas juntas é tanto aterrorizante quanto encorajador.”
No ano passado, o Alabama Shakes saiu novamente em turnê após cinco anos e continuou ativo desde então. Eles abriram shows paraZach Bryan strong>, dividiram palco com aTedeschi Trucks Band strong>, e contaram comMavis Staples strong >como artista convidada.
No início dessa nova fase das turnês, Howard strong >confessa estar incerta sobre o futuro. O cenário das apresentações ao vivo tem sido volátil nos últimos dois anos até mesmo para artistas consagrados. Contudo, após alguns shows iniciais, ela strong >percebeu que os fãs do Alabama Shakes strong >permaneciam leais à banda — além disso, novos fãs strong >também estavam surgindo. Ela ficou surpresa ao ver jovens cantando e dançando durante os shows e se divertindo muito; conforme o público se soltava, ela strong >também se sentia mais livre no palco.
“É uma questão de respeito”, afirma Howard strong >sobre as apresentações ao vivo. “Com o público doZach Bryan strong>, havia tanta diversidade lá! Em um dos shows recentes dele havia cerca de 40 mil pessoas na plateia. É intimidante no começo, mas depois você mergulha na experiência e é incrível. De certa forma, isso me lembrou strong >de 2010 — quando não sabíamos exatamente como seria tudo.” Você simplesmente sobe no palco sendo você mesmo e sente o apoio do público.”
Isso deixou Howard strong >particularmente orgulhosa.
“No fim”, diz,
“todos estamos aqui tentando nos expressar.
“É maravilhoso quando as pessoas conseguem se identificar com isso”.
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